segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

LASAR SEGALL

Emigrantes

1934, bronze, 35,5 x 45 x 35,5 cm

Coleção Museu Lagar Segall – IPHAN/MinC, São Paulo

Esta escultura é fundamentalmente uma tradução, para o universo das três dimensões, dos valores assumidos pela pintura segalliana do estágio francês. Porém, o título original – Emigrantes – a retira de seus vínculos puramente formais, transportando-a à condição de símbolo de uma situação social determinada – a emigração – em que seres humanos são mercadejados, à mercê do acaso e das injustiças.

Para Geraldo Ferraz, a “posição das figuras é de grande recolhimento. Um frio de desolação encolheu nas dobras sem detalhes do bronze as mãos dos quatro emigrantes. E as cabeças perscrutam os horizontes para todos os lados. [...] A figura central serena com a fronte bem erguida não tem desesperança nem esperança nos olhos vastos. mas toda a solidariedade nessa ilhota humana se dirige para a compreensão de seus semelhantes, afirmando o seu direito à vida” (1935)

No mercado em Campos do Jordão

1941, óleo com areia sobre tela, 55 x 47 cm. Coleção Fundação Ema Klabin, São Paulo.

Se nos anos de 1920 as pinturas de Segall dialogavam com as de Tarsila e Di Cavalcanti, certas obras dos anos 1940, envoltas numa fatura menos imediata, de tons surdos, dialogavam com os trabalhadores de Portinari e várias obras de artistas engajados na retratação do “Brasil profundo”.

No mercado em Campos do Jordão é um dos exemplos desse viés. Percebe-se nele a forma ovóide, notada em Pogrom, envolvendo a cena, realçando a centralidade das figuras, enfatizando seu talhe sintético (apenas contrastado pelos pés das figuras, imensos, “portinarescos”).

O sentido “social”, objetivo da obra, perde a estridência de engajamento explícito, sobretudo por suas dimensões modestas, o que possibilita um problema social a ser denunciado, mas como uma questão plástica. Isto diminui a retórica ali contida, evidenciando a qualidade do resultado plástico. Notáveis são as áreas “desfocadas” das bordas da cena, ligadas à área central pela ênfase que Segall dá às pinturas celadas, realçando o próprio ato de pintar.

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